O que é a “geração de empregos” do governo?
Uma ponte é construída. Se for construída para atender a uma insistente necessidade pública, se resolve um problema de transporte insolúvel de outra maneira, se, em suma, ela é mais necessária do que as coisas nas quais os cidadãos gastariam seu dinheiro que foi convertido em impostos – então não há objeção. Mas uma ponte construída primariamente “para gerar empregos” é um tipo diferente de ponte. Quando o fim é gerar empregos, a necessidade se torna uma consideração subordinada. “Projetos” devem ser inventados. No lugar de pensar apenas onde as pontes devem ser construídas, o governo começa a se perguntar onde pontes podem ser construídas. Eles conseguem imaginar uma razão plausível pela qual uma ponte adicional deva ser construída ligando A a B? A razão logo se torna essencial. Aqueles que duvidam da sua necessidade são descartados como obstrucionistas do desenvolvimento e reacionários.
Um dos argumentos comumente usados para defender a construção da ponte (ou usina, estrada…) é que isso criará empregos. Proverá, digamos, 500 empregos por um ano. A implicação é que esses empregos não existiriam de outra forma.
Isto é o que se torna imediatamente visível. Mas se tivéssemos o costume de olhar além do imediato até as conseqüências secundárias, e além daqueles diretamente beneficiados por um projeto governamental para aqueles que são afetados indiretamente, então um novo quadro surge. É verdade que um grupo particular de operários receberá mais empregos do que se a ponte não fosse erguida. Mas a ponte precisa ser paga com o dinheiro proveniente dos impostos. Para cada real gasto na ponte, um real deve ser retirado dos contribuintes. Se a ponte custar R$1.000.000, os contribuintes terão gasto perdido R$1.000.000. Eles se verão subtraídos de uma quantia que certamente teriam usado em algo de que necessitam mais.
Portanto, para cada emprego público criado pelo projeto da ponte, um emprego privado foi destruído em algum outro lugar. Nós podemos ver os homens empregados na ponte. Nós podemos observá-los trabalhando. O argumento da geração de empregos do governo se torna vívido, e provavelmente convence a maioria das pessoas. Mas há outras coisas que nós não vemos simplesmente porque elas não puderam se concretizar. Essas coisas são os empregos destruídos pelo R$1.000.000 retirado dos contribuintes. Tudo que aconteceu, na melhor das hipóteses, foi um desvio de empregos por causa de um projeto. Mais operários na ponte, menos empregados na indústria automobilística, ou técnicos de rádio, costureiras ou fazendeiros.
- Henry Hazlitt, Economics in one lesson, Cap. 4