Sobre

O mundo passa por uma revolução. Ou melhor, por uma convulsão. No sentido médico, a Terra sofre uma contração violenta e dolorosa devido a problemas do sistema nervoso central. Nós somos sua medula, suas artérias e suas mãos. Ou antes fôssemos. Somos seu algoz.

O sonho americano tomou conta de nós, como uma mania, uma obsessão, uma doença. Abrigamos sentimentos contraditórios, desejamos reduzir o trabalho e aumentar o conforto, aplicamos nossas apostas na modernidade, mas as máquinas que deveriam nos libertar nos escravizaram.

Hoje não mais caminhamos, não temos fôlego. Não mais conversamos, não temos assunto. Absorvemos a modernidade de telas luminosas e aprendemos a ver o mundo não a partir dos insetos na relva, mas de fantasias manipuladas por pessoas insensíveis.

Ainda se reza a Deus, mas não se sabe o que pedir.

Os tempos que se aproximam são ao mesmo tempo assustadores e emocionantes. O mundo ainda se convulsionará muito, e rápido. Quem tiver fígado, que assista. A todos nós, só o que nos resta é nos acostumarmos com menos, cada vez menos.

E não digo isso com nenhum pessimismo, pelo contrário. É apenas vivendo com menos que daremos chance ao planeta e aos demais. Apenas abrindo mão de tanto, num nível que nossos contemporâneos não podem ainda fazer idéia, apenas assim evitaremos o pior. Fora isso, será o abismo. Pensando bem, já é o abismo: olhe pela janela, saia de seu bairro e caminhe ao léu. Não há razão para esperança, há razão para ação. Há muita razão para ação. Para economia. Para menos móveis, menos carros, menos luxo, menos consumo, menos desperdício, menos eletricidade. Desligue, jogue fora o que não for estritamente necessário. Assim seus filhos aprenderão que não precisam comprar tantas coisas. Afinal, é deles o futuro que estamos poluindo, não é mesmo?

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